Ep. 59 - Tratamento formal e informal em Portugal

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Ep. 59 - Tratamento formal e informal em Portugal
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Neste vídeo aprendemos as formas de tratamento formal e informal em Portugal.



TRANSCRIÇÃO:


Olá a todos e bem vindos de volta ao Portuguese With Leo e a mais uma lição rápida de português.


Se são novos por aqui, o meu nome é Leonardo e nestas lições rápidas de português procuro ajudar-vos a melhorar o vosso português.


Há cerca de 3 meses fiz um episódio sobre a utilização do pronome “vós” em Portugal, e como esta evoluiu ao longo do tempo. Foi o episódio número 51.


Hoje quero dar-vos um episódio mais prático, em que explico de uma vez por todas como é que se fala com outras pessoas de forma formal e informal, e quando é que se deve usar cada registo.


Antes de começarmos, o tema do episódio de hoje foi votado pelas pessoas que me apoiam no Patreon, e daqui para a frente vou continuar a fazer pelo menos um episódio ou mais por mês escolhido pelos meus Patrons.


Se quiserem participar nas votações e terem acesso a todos os outros benefícios do Patreon, sigam o link na descrição!


Vamos então ao que interessa: como é que se fala com as pessoas de forma formal e informal em Portugal, e como é que sabemos quando utilizar qual?


Para já, digo-vos que isto não é uma ciência exata e que eu próprio, que nasci e cresci em Portugal, às vezes tenho dúvidas sobre o que utilizar...


Depois de pensar um pouco sobre qual seria a forma mais prática de explicar as diferentes formas de tratamento em Portugal, decidi dividi-las em 3 situações principais. Vamos chamá-las de situações claramente formais, situações relativamente formais e situações informais.


Vamos começar então com as situações claramente formais. Alguns exemplos deste tipo de situação é quando temos de falar com um superior hierárquico ou então alguém numa posição de poder como um agente da polícia ou um juiz.


Aqui conjugamos sempre os verbos na 3ª pessoa. Se estivermos a falar com uma só pessoa é a 3ª pessoa do singular e se estivermos a falar com mais do que uma pessoa é a 3ª pessoa do plural.


Em relação ao pronome que temos de utilizar, não usamos nem “tu” nem “você” nem “vós” nem “vocês”. Usamos sempre “o senhor” ou “a senhora” e no plural “os senhores” ou “as senhoras”. Não se esqueçam de que com grupos mistos, com homens e mulheres, usa-se o masculino “os senhores”.


Outra coisa importante é usar sempre o título da pessoa com quem estamos a falar. Ou seja, se estivermos a falar com uma médica utilizamos “senhora doutora”, se estivermos a falar com um engenheiro usamos "senhor engenheiro”, temos também “senhor diretor", “senhor presidente”, “senhor ministro”, etc.


Para além dos verbos, também os pronomes são usados na terceira pessoa, sejam eles pronomes possessivos ou de complemento direto ou indireto. No meu website conseguem encontrar uma lista dos principais pronomes pessoais e possessivos em português. Vamos ver alguns exemplos de frases:


Gosto em vê-lo, senhor diretor, está tudo bem consigo?


Ou então:


Bom dia, senhora engenheira, posso fazer-lhe uma pergunta?


Ou então:


Faça favor, senhor presidente!


Confesso que não foi fácil arranjar exemplos para situações muito formais, porque é muito raro encontrar-me neste tipo de situações!


Passando agora às situações relativamente formais, são aquelas em que estamos a falar com um adulto que não conhecemos ou com quem não temos à-vontade suficiente para falar de forma informal.


As situações mais típicas em que isto acontece é quando lidamos com pessoas que trabalham em qualquer tipo de serviço de atendimento ao cliente, como por exemplo em lojas, supermercados, restaurantes, táxis, repartições de Finanças, Loja do Cidadão, etc.


Aqui fazemos aquilo a que em Portugal chamamos “tratar por você”. O que é que isto significa? Mais uma vez usamos a 3ª pessoa do singular (ou plural se for mais do que uma pessoa), mas aqui já é aceitável usar os pronomes “você” e “vocês” e não é necessário usar os títulos das pessoas, tipo senhor doutor, senhor engenheiro, etc.


Também é muito comum não usar pronome nenhum e simplesmente conjugar os verbos na 3ª pessoa. Por exemplo, numa loja de roupa:


Sabe-me dizer se têm esta t-shirt em tamanho M?


Ou num restaurante:


Traga-me uma cerveja se faz favor.


E finalmente, as situações informais, em que tratamos as pessoas por tu. “Tratar por tu” significa usar a 2ª pessoa do singular e conjugar os verbos e usar os pronomes dessa forma. Por exemplo:


Como é que estás, tudo bem, pá?


Tenho novidades para te contar!


Isto é o trato que usamos com pessoas com quem temos confiança, como os nossos amigos e familiares.


Também usamos o tu em situações mais descontraídas com pessoas que acabámos de conhecer, como por exemplo num bar ou numa festa ou num evento social informal.


Tendo dito tudo isto, às vezes existem situações “relativamente informais” em que não temos a certeza se devemos tratar a pessoa por “tu” ou por “você”.


Normalmente, neste tipo de contextos, pessoas da mesma idade tratam-se por tu, quando se acabam de conhecer. No entanto, se estivermos a falar com alguém bastante mais velho que nós, tipo uns 20 ou mais anos de diferença, é melhor usar o “você”.


E se não tivermos a certeza sobre qual das formas usar, é melhor usar sempre o “você” e perguntar: "Desculpe, posso tratá-lo (ou tratá-la) por “tu”? Em Portugal é sempre preferível pecar por excesso de formalidade do que por excesso de informalidade.


E não se esqueçam: sempre que pedimos “desculpa”, a palavra “desculpa” é informal (na 2ª pessoa) e a palavra “desculpe” é formal (na 3ª pessoa).


Espero que tenham gostado deste episódio e que tenha ficado mais claro quando é que se usa o trato formal e o trato informal, e como é que este deve ser feito.


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