Ep. 42 - O conjuntivo em português - Parte 1

Ep. 42 - O conjuntivo em português - Parte 1
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Este é o primeiro de 2 episódios sobre o modo conjuntivo (também conhecido como subjuntivo).

Neste episódio vamos aprender as 5 principais situações em que se utiliza o modo conjuntivo, focando-nos sobretudo no presente do conjuntivo.

TRANSCRIÇÃO:

Olá a todos e bem vindos de volta ao Portuguese With Leo e a mais uma lição rápida de português!


Hoje vamos falar sobre um modo verbal muito importante e que eu sei que causa muitas dores de cabeça a quem está a aprender português. Vamos falar sobre o conjuntivo!


Ah, se a palavra conjuntivo não vos for familiar, é porque talvez conheçam este modo verbal pelo seu outro nome, subjuntivo, que é a forma como é chamado no Brasil.


O conjuntivo é um tema que dá pano para mangas, isto é, é um tema extenso sobre o qual há muito para se falar, por isso decidi dividi-lo em 2 episódios.


No episódio de hoje vou explicar de forma geral o que é o conjuntivo e quais são as 5 principais  situações em que se utiliza. Hoje vou focar-me sobretudo na utilização do conjuntivo no presente, e na próxima semana falarei então sobre os outros tempos verbais em que se utiliza o conjuntivo, o que vai incluir o tão famoso e tão confuso Futuro do Conjuntivo, que, tanto quanto eu sei, só existe em português!


Antes de começar o episódio de hoje quero só fazer os habituais agradecimentos às pessoas que ajudaram a tornar este podcast possível com doações de Paypal no último mês, que foram as seguintes:


Benjamin Dominguez, Dragana Damjanovic, Jan Piet Smit, Valerio Bettini, Jean Fonseca, Vittorio Maiullari, Maria Kontu, Ewan Robertson, Michael Cytrynowicz, Amr El-Abed, Ye Ke, Roger Emanuels, Magda Ciurlik, Kaori Funae, Ali White, Vasco Cruz, Daniel Franke, os contribuidores recorrentes Benny Friedman, Larue Allen, Lisa Fridland, Tom Rains, Michael Dawson, Bruce Joffe, Pierre Docquir, Johanna Bosse, Manuel Ríos e Naël Achkar, e também aqueles que preferiram manter-se anónimos.


Muito obrigado a todos pelas vossas contribuições! É graças a vocês que consigo dedicar-me a este canal a tempo inteiro!


Vamos falar então sobre o conjuntivo! Antes de mais nada, é importante sabermos que o conjuntivo é um modo verbal e não um tempo verbal.


Os tempos verbais indicam quando é que a ação é realizada, se foi realizada no passado, se está a ser realizada no presente, ou se irá ser realizada no futuro. Já os modos verbais indicam a atitude ou intenção da pessoa que fala em relação à ação.


Por exemplo, quando usamos o indicativo, que é o modo verbal mais comum e mais conhecido, estamos a dizer as coisas com convicção, com a certeza de que aconteceram ou de que vão acontecer.


Se eu disser “Estou a filmar um vídeo”, estou a usar o indicativo porque estou a falar de algo que eu sei que é verdade. Eu estou realmente a filmar um vídeo. No entanto, quando usamos o conjuntivo, estamos a exprimir uma incerteza, uma dúvida, uma possibilidade ou um desejo de que alguma coisa aconteça.


Uma dica para saber se devemos ou não usar o conjuntivo, é que o conjuntivo só se usa em frases subordinadas, ou seja, frases em que temos 2 orações, em que uma delas está dependente da outra. Um exemplo muito rápido é o seguinte:


“Eu sei que é verdade”; “Eu espero que seja verdade”.


Ambas são frases subordinadas, em que a oração principal é “Eu sei” na primeira e “Eu espero” na segunda e a oração secundária é “ser verdade” nas duas.


Na frase em que temos a certeza, em que sabemos que é verdade, usamos o indicativo na 2ª oração: “é verdade”. Na frase em que não temos a certeza, em que temos apenas a esperança de que seja verdade, usamos o conjuntivo na 2ª oração: “seja verdade”.


Então agora que sabemos de forma geral como funciona o conjuntivo, quais é que são os 5 casos principais em que se utiliza?


A primeira situação em que se usa o conjuntivo é para exprimir um desejo ou uma vontade. Normalmente nesta situação utilizam-se as expressões “desejar que”, “esperar que”, “querer que”, “preferir que” ou “oxalá”. Por exemplo:


Quero que me faças um favor.
Espero que os meus alunos fiquem fluentes em português.
Oxalá Portugal ganhe o Euro 2020.


A segunda situação em que se utiliza o conjuntivo é quando queremos exprimir uma incerteza ou dúvida. Normalmente nesta situação utilizamos as expressões “talvez” ou “duvido que”, ou então as expressões negativas “não acho que”, “não me parece que”, “não acredito que”, etc. Alguns exemplos são:


Talvez este vídeo ajude a clarificar o conjuntivo.
Duvido que os políticos saibam bem o que estão a fazer.
Não acho que seja boa ideia andar de mota sem capacete.


A terceira situação em que utilizamos o conjuntivo é para exprimir o nosso estado psicológico ou estado de ânimo em relação a alguma coisa que aconteceu. Ou seja, como é que nos sentimos em relação a algo que aconteceu. Por exemplo:
Fico feliz que estejas bem.
Tenho medo que não seja verdade.
Fico contente que gostes do filme.


A quarta situação em que utilizamos o conjuntivo é quando usamos frases impessoais. Frases impessoais são frases que são compostas pelo verbo “ser”, normalmente na 3ª pessoa, seguido de um adjetivo. São frases como “É importante”, “É necessário”, “É  possível”, “É provável”, “É preferível”, etc.


A fórmula para usar estas frases com o conjuntivo é: Verbo ser + Adjetivo + a palavra "que" + a oração com o verbo no conjuntivo. Por exemplo:


É preciso que falemos sobre o assunto.
É provável que este mês faça bom tempo.
É importante que vocês estudem português.


Finalmente, a quinta situação em que utilizamos o conjuntivo é em frases em que existe um impedimento, mas esse impedimento não é suficiente para que a ação *não* se realize. Normalmente nestas frases são usadas as conjunções “embora”, “ainda que”, “mesmo que”, “apesar de que”, etc. Por exemplo:


Embora a água esteja fria, vou dar um mergulho.
Ainda que seja tarde, vou passear o meu cão.
Mesmo que não concordemos um com o outro, gostamos de debater ideias.


E foram estas as 5 principais situações em que se utiliza o conjuntivo. Espero que este modo verbal tenha ficado um pouco mais claro, e se ainda tiverem alguma dúvida em relação à utilização do conjuntivo, não se preocupem porque é perfeitamente normal não perceber estas coisas logo à primeira.


Ninguém aprende o conjuntivo de um dia para o outro, nem sequer os falantes nativos, e só com a prática e com a utilização da língua é que conseguimos realmente aprender todas as situações em que se utiliza o conjuntivo e usá-las de forma fluente no nosso discurso.


Na próxima semana sai a segunda parte desta mini-série sobre o conjuntivo, em que vou falar sobre os diferentes tempos verbais que existem dentro do conjuntivo e as diferentes situações em que se utiliza cada um deles.


Por isso, um abraço e vemo-nos para a semana!

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