Ep. 41 - Português vs Italiano

Ep. 41 - Português vs Italiano
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Neste episódio convido o poliglota italiano Stefano do canal de Youtube linguaEpassione para compararmos as características da Língua Portuguesa e da Língua Italiana.

TRANSCRIÇÃO:

Olá a todos e bem-vindos de volta ao Portuguese With Leo.


Eu sei que digo com frenquência que o episódio de hoje é especial, mas o de hoje é verdadeiramente especial por dois motivos: 


O primeiro é que chegámos finalmente aos 50 mil subscritores no Youtube, que é algo que eu nunca esperei que fosse acontecer. Quando comecei este canal, se alguém me dissesse que eu ia chegar a 50 mil subscritores em menos de um ano eu nunca acreditaria, nunca imaginei que tantas pessoas pudessem estar interessadas em português europeu e a querer aprender a língua ou interessadas simplesmente em aprender mais sobre a língua, e por isso muito obrigado a todos vocês por subscreverem o canal, por verem os vídeos, por porem gosto, muito obrigado, do fundo do coração.


O outro motivo porque o vídeo de hoje é especial é porque tenho um convidado, o Stefano, do canal linguaEpassione. O Stefano é um poliglota que fala dez línguas e hoje vamos comparar o português com a língua materna do Stefano e aquela que para mim é a língua mais bonita, o italiano.


Bom dia Stefano.

Bom dia Leonardo.

 

Tu preparaste aqui uma lista de algumas das semelhanças e diferenças entre o português e o italiano, que são duas línguas muito parecidas, mas antes de passarmos ao vídeo em si, gostava só de saber assim, muito rapidamente, porque é que decidiste aprender português europeu e não brasileiro? És um dos poucos.

 

Antes de mais nada, muito obrigado Leonardo pelo teu convite, fico muito feliz por estar aqui e ansioso por começar. Talvez não saibas, esta é a primeira vez que eu faço um vídeo de colaboração em português e as pessoas que me seguem sabem o quanto eu adoro esta língua, portanto, podes imaginar o quanto eu estou feliz agora por estar aqui contigo.

 

Então, muito obrigado e, porque é que eu falo com este sotaque? Foi mais ou menos um acaso porque encontrei um curso de português na Alemanha quando eu estava na Alemanha a fazer, a tirar um curso, digamos, a participar no programa Erasmus, não é? Programa de intercâmbio entre as universidades europeias.


Encontrei esse curso na universidade de Heidelberg, na Alemanha, e a professora era de origem moçambicana mas cresceu em Portugal e *tinha* este sotaque, portanto todos os materiais também eram em português de Portugal. E de facto adorei este sotaque ainda mais *do que* o pouco brasileiro que eu já tinha aprendido antes, e fiquei com este sotaque e nunca quis mudá-lo, é por isso, é muito simples, é uma razão muito simples, eu adorei.


Olha, fico feliz por saber isso e tu tens um vídeo inteiro dedicado à tua história com o português que eu já vi, eu já sabia a história da professora moçambicana e tu entras em mais detalhe, e portanto, para os que nos estiverem a ver, vão ver o canal do Stefano, linguaEpassione, e vão ver o vídeo em que ele explica toda a sua história com o português.

 

Hoje vamos fazer uma coisa diferente que vai ser, então, comparar as nossas duas línguas, ambas de origem latina, o português e o italiano. E por isso, Stefano, tu preparaste toda uma lista de semelhanças e diferenças e podes começar quando quiseres.


Ok, vamos lá começar com a coisa mais simples, os substantivos, os nomes, o plural dos substantivos.

 

Os plurais em português são mais fáceis, podemos dizer, do que em italiano porque só se acrescenta um "s" se a palavra termina em vogal e  "Es" se a palavra termina em consoante. Claro, há também outras pequenas diferenças, por exemplo, se a consoante for um "l", acrescentamos um "is" e se for "m", acrescentamos o "ns". Mas são diferenças pequenas, não causam muitos problemas aos estudantes, acho eu.


Uma só que eu acrescentaria é nos ditongos, as palavras que acabam em "ão", esse ditongo transforma-se em "õe" e acrescenta-se um "s" - situação, situações.

 

No que diz respeito aos ditongos, a dificuldade está no facto que alguns, digamos, tornam-se um pouco diferentes. Não "ões" mas "ãos", por exemplo - a mão, as mãos. Não "as mões". Ou alemão, alemães.


Mas isso são pequenas exceções. Regra geral, e para quem está a aprender português, se estiverem na dúvida, palavras acabadas em "ão", no plural é "ões", na dúvida. Pode haver uma outra exceção, mas no geral é assim. Já no italiano...

Já no italiano temos várias terminações diferentes dependendo do género da palavra, sobretudo, e também da vogal na qual a termina a palavra, ok? Por exemplo, para os femininos podemos ter o "a" no final de uma palavra, como por exemplo, "casa", o plural será "case" com "e".


Mas se a palavra já terminar em "e", no singular, como "nave", quer dizer "navio", o plural vai ser "navi" com "i". Portanto temos essas duas terminações diferentes para o plural.

 

Os masculinos sempre fazem.. sempre têm o plural com "i" mas o singular também pode ser com "o" ou com "e". Por exemplo temos o "libro" (livro), "libri". Mas, "cane", o cão, "cani".

 

E, estou-me a lembrar aqui de um plural de um singular com "a". "Sistema" ou "problema" - "problemi", "sistemi".

 

Para não falar nos plurais irregulares, porque, por exemplo, o ovo em italiano é "uovo", e é masculino, não é? Mas o plural torna-se feminino. Muito estranho, "le uova". Outros exemplos desta coisa temos para as partes do corpo humano, por exemplo o braço, em italiano é "il braccio". Mas quando *falamos* no plural também se torna feminino, "le braccia". Que é muito estranho. Ou "ginocchio", joelho, "ginocchio", "le ginocchia". E por aí fora.

 

Para falar nos artigos, nos artigos definidos, eu acho que os artigos definidos também são mais fáceis, mais simples, em português do que em italiano porque em vez de quatro artigos que se podem combinar com quatro preposições para criar essas combinações de preposição e artigo que nós chamamos de "preposizioni articolate", nós temos, são seis artigos, mais um se considerarmos o "l apóstrofo" (l'), o sétimo artigo. Também podemos dizer que temos sete artigos, que se combinam com 5 preposições. Portanto temos 30-35 combinações possíveis.


Exatamente, exatamente, e nós só temos as 16, a tabelinha das 16, que já agora os artigos são "o", "a", "os", "as", sempre muito fácil, e as preposições são "de", "em", "a" e "por".


E em italiano temos os artigos "il", "lo", "la", "i", "gli", "le" ,"l apóstrofo" (l'). E sempre a falar sobre os artigos, em português também existem artigos indefinidos plurais, o que nós não temos em italiano.

 

Para expressar uma quantidade não especificada de alguns objetos, de pessoas, o que for, em português podemos dizer "umas", sei lá, "maçãs", "umas amigas" ou "uns amigos", "uns amigos".

 

Mas em italiano, o que é que nós fazemos? Não temos esses artigos, portanto nós utilizamos o chamado de partitivo. O partitivo com o auxílio da preposição "di", dizemos: "delle mele", "delle persone", "degli amici". Mas isto não quer dizer "das pessoas" ou "dos amigos", quer dizer...


"Alguns" ou "uns", exato. É como o francês, também tem esta esta particularidade gramatical.  


Então uma coisa que é bastante difícil, acho eu, em português, é a colocação dos pronomes pessoais na frase. Em português, tipicamente, o pronome pessoal objeto é posto depois do verbo, não é? Por exemplo, a frase mais bonita do mundo é "amo-te", não é? Então o "te" vem depois do verbo, enquanto em todas as outras línguas da nossa família, digamos, é o contrário, "ti amo".

 

A não ser que a frase comece com certos elementos, como por exemplo uma negação, o "não", o "nunca", ou a palavra "já" ou uma palavra interrogativa como "quem", "que", "quando", etc. Nesse caso o pronome já é posto...

 

Antes do verbo.

 

Exato, então, "Eu amo-te", mas "Não te amo". Ou por exemplo, "Eu disse-lhe que blá blá blá", mas "Eu já lhe disse" ou "Não lhe disse que blá blá blá". Então isso pode ser bastante difícil, sobretudo no princípio para quem aprender português.

 

Para quem quer aprender português de Portugal, porque no Brasil isto não é assim, exato. De Portugal e de África, pronto, a variante não brasileira, basicamente.

 

Já agora, também temos a mesóclise. A chamada mesóclise é quando, quer dizer que, basicamente, nas formas do Futuro do Indicativo e do Condicional, o pronome até pode ficar no meio, entre a raiz do verbo e a terminação do verbo conjugado.

 

Por exemplo, isto é muito estranho para quem falar português do Brasil porque não existe naturalmente no português do Brasil. "Eu recomendaria ao Leonardo", por exemplo, um livro, não sei. "Eu recomendar-lhe-ia".


Exato, exato, eu sei, é estranho, é estranho. Mas para quem estiver a aprender português eu não sei se... não sei se quem nos está a ver, se sabia sequer que isto existia mas nem todos os portugueses acertam. Portanto, podemos ficar descansados que é difícil até para nós.

 

Há muitas pessoas que dizem.. que às vezes dizem.. é um erro e as pessoas sabem que é um erro mas às vezes sai, tipo: "Eu recomendaria-te. Ah, não. Eu recomendar-te-ia". É um erro bastante comum.


Os meus amigos brasileiros riem-se às gargalhadas cada vez que eu utilizo estas formas porque eles dizem "O que é que é isso? Não pode ser verdade".

 

É excessivamente complicado, não é? Uma última coisa sobre esses pronomes é que quando temos uma, um verbo no infinitivo com o pronome a seguir, cai o "r" do infinitivo e aparece um "l" à frente do pronome: "Fazer a coisa"; "Fazê-la".


Também temos outro... outra forma que é com "n", portanto, quando temos um "m", por exemplo, "Eles fazem essa coisa"; "Eles fazem-na".

 

Vamos agora falar em preposições. Obviamente em português temos o "por" e o "para", duas preposições, em vez de só "per", em italiano. A diferença principal é que o "por" indica mais um meio, é uma passagem por um lugar ou uma razão, um motivo.

 

Enquanto o "para" indica mais o fim, o objetivo final e também o destino, a direção, o destino do movimento. Isto é, digamos, a diferença principal. Claro, há muitas, muitas funções que estas preposições têm.

 

Enquanto italiano poderias pensar que eu possa ter problemas com a diferença entre "por" e "para", mas a minha dica para evitar esse problema é não considerar o "por" como uma tradução de "per". Na minha cabeça o "por" não é "per". Já não é "per". Na minha cabeça o "por" é "através de".


Exatamente. Portanto, italianos, registem, tomem nota. Mesmo assim, se quiserem ver com detalhe as diferentes utilizações de "por" e "para" em português, também tenho um vídeo sobre o "por" e o "para". "Por" é "attraverso" e "para" é "per", na maior parte das situações. Depois há sempre pequenas situações em que isto muda porque, por exemplo, a voz passiva nós usamos o "por", "feito por mim", ou seja, "fui eu que fiz", e vocês usam "da", "fatto da me", "fui eu que fiz".

 

E sempre falando em preposições, o "de". Neste caso já é o italiano que é mais complexo porque da preposição latina "de", o italiano é a única língua que tirou duas preposições em vez de uma. Então o português, o espanhol, francês, todos têm "de".

 

E o romeno, que tu também falas romeno que eu sei.

 

O romeno também. E nós, italianos, nós temos o "di" e o "da". Duas, somos diferentes. E estas preposições também têm várias funções mas uma das mais interessantes diferenças entre as duas é que nós em italiano podemos dizer "una tazza di caffè" e "una tazza da caffè".

 

O que é que quer dizer? Uma chávena de café, ou xícara para os nossos ouvintes do Brasil. Exato. Se eu disser "tazza di caffè", quer dizer uma chávena com café já dentro. Eu vou beber esse café, não é? Mas se eu disser "tazza da caffè" só quero dizer que é uma chávena para conter café.

 

Que serve para beber café.

 

Serve para, exatamente, (exato) mas não sei se há ou não há café dentro.


Aqui eu posso.. poderia presumir, então, eu que também falo italiano, que os italianos tenham tendência a traduzir "di" e "da" como "de", mas também é errado. "Di" é sempre "de", mas "da" pode ser "por", com a voz passiva, pode ser "desde" e pode ser também "a" naquelas situações de "Andare dal dottore", "Andare dal parrucchiere".

 

Aqui nós usamos "a", "Ir ao médico", "a" e depois o artigo definido "ao". Ir ao médico, ir ao cabeleireiro ou ao barbeiro, ir a casa do meu amigo. Não temos o "da" como "casa de". Tens que dizer "ir a casa de alguém", "ir à casa de alguém".


Muito bem, sempre em preposições, temos várias preposições para expressar posição ou deslocamento, e aqui temos uma diferença entre o italiano e o português porque em italiano usa-se o "a" ou "in" conforme o lugar. Então, independentemente do movimento, posição ou movimento, a única coisa que importa é o lugar.

 

Por exemplo, para os países vamos sempre utilizar o "in". "Sono in Italia", "Vado in Italia". Não muda. Para as cidades vai sempre ser "a". "Sono a Milano", "Vado a Milano". Em português é exatamente o contrário, depende do movimento, não do lugar.

 

O que é mais fácil. 


Achas?


Eu acho que sim porque não tens que decorar, não é preciso decorar, é só perceber. Se eu me mexo é "a" ou "para". Se eu não me mexo, se eu fico, se eu estou no lugar, é "em". E é sempre assim.

 

Eu lembro-me quando estava aprender italiano lembro-me que, ok, decorei: Países - in. Cidades - a. Depois pensei "Sicilia, regiões, ilhas, é in, acho que é in, ok". Mas depois sítios, "Vou para o meu quarto" é "in", "Vado in camera", "Vou para o quarto", ok. Mas "Vou para o hospital", "Vado all'ospedale". 


Ou seja, às vezes parece-me um bocado arbitrário, enquanto que em português é só, se eu me desloco é "a" ou "para", "vou para Itália", "vou para Milão". Se eu estou no sítio, estou "em". "Estou em casa", "estou em Lisboa", "estou em Portugal", "estou no mundo".


Em italiano é preciso aprender quase de cor qual é a preposição que se utiliza com esse lugar ou outro lugar, etc. Sim, sim.

 

Vamos agora falar no "Essere", "Stare" vs "Ser" e "Estar". O português aqui é muito mais parecido com o espanhol, não é? No sentido de que o verbo "estar" usa-se muito mais em comparação com o "stare" italiano.

 

Obviamente, em português, o "ser" usa-se para características permanentes, a longo prazo, como por exemplo, "sou italiano", isso não vai mudar tão facilmente, digamos, e o "estar" mais para características transitórias, a curto prazo. Por exemplo, "estou aqui" ou "estou feliz", agora.

 

E localizações também.

 

E localizações, exato. Onde está, não sei, não sei quê.. o meu carro. Em italiano eu teria utilizado sempre o verbo "essere" nessas frases.  "Sono italiano", "sono felice". Mas muito interessante o facto que, no centro e no sul da Itália o "stare" é utilizado também no sentido de encontrar-se num lugar, estar num lugar, ok? Que nós no norte, eu sou de Milão, nós no norte não utilizamos, nunca utilizamos.

 

Por exemplo, uma pessoa de, não sei, Roma ou da Sicília, por exemplo, diria "Dove sta il mio telefono?" "Sta li".


Para continuar com os verbos,vamos falar nos verbos auxiliares. Em português, como verbo auxiliar só temos o "ter", enquanto em italiano temos dois, temos "avere" e "essere", ok? Depende do verbo, se houver movimento ou não, se houver deslocação ou não no verbo ou se o verbo for reflexivo ou não. Isto pode ser bastante complicado em italiano.

 

Mas em português não, só se utiliza o "ter" que é o mesmo como no italiano "avere", por exemplo, "Tenho um computador", que aliás nem funciona muito bem. Mas "Eu tenho trabalhado muito nos últimos tempos", por exemplo ou "não tinha reparado nisso".

 

Exato, e aí, uma coisa que é importante: Em todas as línguas que eu falo, exceto o português, existe uma forma, pelo menos uma forma composta para o passado. Tipo em italiano o Passato Prossimo: "Ho fatto, ho visto".

 

Em português não, em português nós temos o Pretérito Perfeito, que é uma forma simples. "Eu vi", "fiz", "comi", "tomei o pequeno-almoço". E então muitas pessoas que estão a aprender português, isto aqui para quem está a ver o vídeo, muitas pessoas que estão a aprender português têm tendência a usar a forma que tu acabaste de usar que é "tenho comido", "tenho visto", mas essa forma não significa "comi", "vi".

 

Significa: "Ultimamente / nos últimos tempos tenho repetidamente feito esta coisa". Ou: "Tenho feito de forma contínua ou repetida até hoje". E não "fiz uma vez". Isto é um erro muito comum.


Exatamente e praticamente em português o Pretérito Perfeito Simples, digamos, a sua forma recorda um pouco o Passato Remoto" do italiano, não é? É uma só palavra, uma forma simples para expressar todas as ações do passado, praticamente.


Vamos falar agora no Conjuntivo. Não vamos falar nos pormenores porque acho que o Leonardo quer fazer um vídeo completo sobre esta...

 

No futuro vou fazer um vídeo, exatamente.

 

Muito bem. Bom, o que é que é o Conjuntivo em geral? É um modo verbal que se utiliza em.. quando é preciso expressar uma dúvida, uma opinião, uma hipótese e coisas assim.

 

O uso do conjuntivo em português e em italiano é quase idêntico, exceto quando queremos expressar uma opinião afirmativa, dizendo, por exemplo, "eu penso que", "eu acho que". "Acho que é importante" utilizo o indicativo, o "é". "Acho que é normal", "acho que é importante".

 

Em italiano temos de dizer "penso che sia normale", "penso che sia importante". Assim como em português, fazemos em português quando a forma for negativa. "Não acho que seja importante", "non penso che sia importante". Outra diferença é que em português também temos o Futuro do Conjuntivo, não é?


É verdade.

 

Que só existe em português. Eu adorei esta forma quando aprendi português.

 

O Futuro do Conjuntivo utiliza-se sobretudo com palavras como "quando", "se", quando queremos projetar a ação realmente no futuro e também quando a ação não é tão certa, não é? Exato, exato. Por exemplo, em italiano diríamos normalmente com o indicativo "quando arrivi chiamami", ok? "Quando chegares (em português) telefona-me".
 

Sempre falando no futuro, em português também temos a expressão típica "ir + infinitivo", que não existe em italiano, absolutamente não existe. Por exemplo, "vou comprar um novo computador" porque o meu já não funciona bem.

 

Em italiano usa-se sobretudo, na verdade, sobretudo o presente para falar em ações futuras. De forma limitada, também o futuro, mas sobretudo o presente.

 

E bom, os outros usos do futuro são comuns, não há nenhuma dificuldade, acho eu. Por exemplo, nós dizemos "sarà vero?" = "será verdade?". Utilizamos o futuro para expressar uma dúvida, uma hipótese.

 

Outra coisa muito interessante que há em português e não em italiano é o infinitivo pessoal. Muito simplesmente é o facto que o infinitivo também se conjuga, em frases como "Obrigado Leonardo por me teres convidado para o teu canal" ou "É preciso falarmos sobre o infinitivo pessoal no próximo vídeo".

 

Acho que já terminámos com as diferenças e semelhanças entre o português e o italiano e vamos agora dar umas dicas para aprender uma língua mais facilmente se já falas a outra.

 

Vamos falar de palavras que, para quem não sabe ou quem está a aprender a outra língua, por exemplo, italianos a aprender português, quando estiverem na dúvida, não souberem uma palavra, arrisquem a forma "aportuguesada" da palavra italiana, e muitas vezes é a palavra certa. E quais é que são alguns exemplos então?

 

As palavras terminadas em "ione", em italiano, muitas vezes são em "ão" em português. Vamos lá ver:

 

Azione = Ação

Emozione = Emoção

Direzione = Direção

Attenzione = Atenção

 

E por aí fora.

 

Exatamente.

 

Mas nem sempre é assim. Por exemplo, como é que dizemos em português "conversazione?"

 

Conversa.

 

E não "conversação".

 

Exato, "conversação" é um erro.

 

E também vale o contrário porque o português "sugestão" não é "suggestione" em italiano mas "suggerimento".

 

"Suggerimento", exatamente.

 

Outros exemplos, por exemplo, para palavras terminadas em "tà" em italiano que se tornam "ade" em português. Por exemplo:

Città = Cidade

Università = Universidade

Difficoltà = Dificuldade

 

E por aí fora. Outros casos, por exemplo, palavras terminadas em "bile", em italiano, são "vel" em português. Por exemplo:

Terribile = Terrível

Accettabile = Aceitável

Implacabile = Implacável

 

Etc. Mas atenção porque também temos os falsos amigos. Como em todas as línguas, temos vários falsos amigos entre o português e o italiano. E agora eu queria apresentar alguns e ver se o Leonardo também os conhece:

 

"Birra". "Birra", ok, esta é fácil, é cerveja. Ou seja, "birra" em italiano é "cerveja" em português, mas também existe "birra" em português. Exato, "birra" em português é um "capriccio". Então, o que as crianças fazem quando não querem quando.. ou querem...

 

Quando estão chateadas, exato, e nós dizemos "fazer birra".


Exato, "fare i capricci", dizemos nós em italiano. Como é que dizemos em português "minestra"?


"Minestra" é o "caldo" que eu conheço por causa do "minestrone" que é um prato italiano muito conhecido, e em português temos o "caldo verde" que também é um prato típico português.


Mas caldo, em italiano, é...

 

Quente.

 

Exatamente.

 

E se eu disser em português que algo é "esquisito", o que é que significa?

 

Significa que é estranho, que é fora do normal, é estranho. Não é... normalmente não é uma coisa positiva.

Muito bem. Em italiano, "squisito", a palavra "squisito", é uma palavra muito positiva.

 

Exatamente.

 

Quer dizer delicioso, requintado.

 

Exatamente. Como em inglês "exquisite". Eu acho que aqui nós somos os únicos que usam esquisito desta forma diferente. Em espanhol também é bom, é requintado.

 

Vamos então à próxima palavra, "furbo", em italiano, como se diz em português?

 

"Furbo". "Furbo" se não me engano é "esperto".

 

Exatamente, mas um "esperto", em italiano...

 

É um especialista.

 

Especialista, sim. Ou, como adjetivo, "experiente", uma pessoa com experiência. E depois, o que é que é uma "palestra"?


Uma "palestra" é uma aula, normalmente uma aula teórica da universidade, por exemplo, e em italiano é um ginásio. Um ginásio, exato. Ou seja, a "palestra" italiana é o "ginásio" português, que no Brasil eles dizem "academia".

 

Academia, exato.

 

Que é também estranho porque para nós a "academia" também, mais uma vez, tem a ver com... Intelectual, com aprender coisas, e não tanto com esforço físico.

 

Exatamente, em italiano também, "accademia" é uma espécie de universidade ou instituto de ensino.

 

E é tudo por hoje.

 

É tudo por hoje. Pronto, obrigado Stefano por esta participação.

 

Obrigado eu.

 

Espero que tenham gostado do vídeo e que tenham gostado da participação do Stefano. Se quiserem saber mais sobre o Stefano e ver a perspetiva de um verdadeiro poliglota que fala mais de dez línguas, vão ao canal dele, linguaEpassione, o link está na descrição.


A maioria dos vídeos dele são em inglês, ou têm pelo menos legendas em inglês. Ele faz vídeos em várias línguas e fala sobre tudo sobre a aprendizagem de línguas e sobre cada uma das línguas que ele fala e sobre o lugar que essas línguas têm na sua vida, no seu coração.

 

É um canal muito interessante e sugiro que vão dar uma olhadela!

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