Ep. 22 - O português mais famoso do Mundo

Ep. 22 - O português mais famoso do Mundo
00:00 / 14:26

Ouvir no SpotifyiTunes ou Google Podcasts, ou ver o vídeo no Youtube

O meu amigo João Francisco Cunha partilha algumas histórias pessoais enquanto falamos sobre a carreira e história de vida do Cristiano Ronaldo, bem como sobre a opinião dos portugueses sobre o seu craque.

TRANSCRIÇÃO:

Olá a todos e bem vindos de volta ao Portuguese With Leo!


Se viram o meu episódio de há duas semanas, vão reconhecer o convidado de hoje, o João Francisco Cunha!


Olá.


Cunha, hoje vamos falar sobre uma pessoa muito importante para os madeirenses e que não precisa de qualquer introdução, não é?


Sim, vamos falar de quem é provavelmente a pessoa mais famosa do Mundo e que, para além de ser portuguesa, é madeirense.


Que é?


O Cristiano Ronaldo.


Eu concordo contigo, que é provavelmente a pessoa mais famosa do Mundo, mas já estou a imaginar as pessoas nos comentários a escrever que não concordam e que há pessoas mais conhecidas. 


Porque é que nós achamos isto? Porque é impressionante, num mundo que é dominado pelas redes sociais e em que as pessoas mais conhecidas são as estrelas de Hollywood, atores e cantores, o Cristiano, um jogador de futebol português da ilha da Madeira, consegue ser a pessoa com mais seguidores no Instagram e com mais seguidores no Facebook também.


No episódio de hoje vamos aprender um pouco a vida e história pessoal do Cristiano Ronaldo e tu vais-nos contar algumas histórias tuas relacionadas com o Cristiano que nos vão também ajudar a perceber a perspetiva de alguém que vem da mesma cidade que o Cristiano Ronaldo.


E a verdade é que o Cristiano é uma pessoa muito polémica e por isso, no final, vamos falar um pouco sobre a opinião que os portugueses têm dele, e como é que essa opinião evoluiu ao longo dos anos.


Vamos começar então com a tua história que ilustra mais ou menos a dimensão estratosférica do Cristiano.


Sim, de facto há 4 anos eu tive a oportunidade de ir à inauguração do hotel do Cristiano na Madeira, o Pestana CR7, e bem, lembro-me de na véspera estar a pensar: “Epá, incrível, vou conseguir falar com ele, vou conseguir ter uma conversa com ele! O que é que eu lhe vou dizer, o que é que lhe vou perguntar?” e toda esta expectativa.


Mas de facto é uma dimensão à parte. Mesmo sendo na Madeira, consegui tirar uma fotografia com ele, mas mais do que isso… ele tinha uma corda a separar todos os convidados do núcleo mais próximo dele e tive que esperar duas horas para conseguir tirar a fotografia.


Ou seja, tu achavas que ias estar cara a cara com ele…


E estive, mas…


Mas estiveste separado por uma corda durante 2 horas a olhar para ele, até que finalmente tiraram uma fotografia que durou… meio segundo?


Sim, ele basicamente disse: “Queres uma foto?” e eu: “Quero” e não passou disto, não.


Pronto, mas já respiraste o mesmo ar que o Cristiano Ronaldo.


Sim, foi giro, mas deu para perceber que é uma dimensão à parte e vai além de qualquer expectativa que possamos criar.


Mas nem sempre foi assim não é? O Cristiano nem sempre foi esta pessoa que toda a gente conhece e toda a gente fala.


Sim, pelo menos não em todo o mundo, claro.


Ok.


Eu tive a oportunidade de ir aos Estados Unidos em 2010, e apesar do Cristiano já ser muito muito conhecido, não é? E já estava numa fase, já tinha até sido Bola de Ouro.


Nos Estados Unidos, como sabemos, o futebol não é muito conhecido e nas minhas viagens o Cristiano sempre foi um elo de ligação muito competente para explicar de onde é que eu vinha, ou seja, tanto Portugal e mais especificamente da Madeira.


Ou seja...


E foi uma grande desilusão, ninguém sabia quem era o Cristiano.


Ou seja, tu nas tuas outras viagens, sempre que dizias que eras de Portugal e da Madeira…


Ah, nem era preciso dizer, bastava dizer: “Ah, exatamente, Cristiano Ronaldo, e eu sou da mesma ilha que ele” e pronto, já estava contextualizado. Aqui não se verificou nada disso. Qualquer pessoa que perguntava: “Ah e de onde é que são, e tal?” e eu bem que tentava usar o Cristiano Ronaldo mas não serviu de muito. Estamos a falar de 2010. Hoje em dia, até nos Estados Unidos ele já é uma personalidade estratosférica.


Agora vamos falar um pouco da vida do Cristiano. Ele nasceu na tua cidade, no Funchal, há quase 36 anos, porque daqui a dois dias, hoje é dia 3 de fevereiro, daqui a dois dias, dia 5, ele faz 36 anos.


Exatamente. E continua em altas.


E tu tens uma história também em relação ao aniversário do Cristiano, portanto…


Sim, é uma história engraçada. Uma pessoa muito importante para mim faz anos no mesmo dia do Cristiano, a minha mãe, portanto 5 de fevereiro.


E teve piada porque, pronto, foi o dia 5 de fevereiro, isto já há uns anos atrás, e, outra pessoa também muito importante para mim que já não está presente infelizmente, o meu avô, no dia a seguir estava na nossa casa…


O teu avô que é o pai da tua mãe.


O meu avô materno, exatamente. Estávamos todos na minha casa, no dia a seguir, ou seja no dia 6 de fevereiro, e o meu avô tinha-se esquecido do aniversário da minha mãe, mas pronto, não houve problema, estava tudo bem. E o meu avô diz: “Epá, sabem quem é que fez anos ontem? O Cristiano Ronaldo, o Cristiano Ronaldo fez anos ontem!”


E a minha mãe disse, também sem grande problema, mas: “Ah, pois pai, eu também fiz”, e ele: “Mas é suposto eu saber tudo?”


Mas pronto, teve piada e é uma história muito especial para mim porque retrata muito o quão especial também era o meu avô.


O Cristiano nasceu então dia 5 de fevereiro, cresceu sem grandes posses, cresceu na pobreza e a primeira equipa de futebol dele foi o Andorinha, certo?


Exatamente, onde o pai dele era roupeiro.


Depois do Andorinha foi para o Nacional, onde eventualmente fez uns trials pelo Sporting, que não duvidou em repescá-lo e em trazê-lo para Lisboa com 11 anos.


Aos 11 anos ele foi afastado da sua família, da Madeira, que está a 1100 km de Lisboa, e foi sozinho para o Sporting, para Lisboa.


Sim, sim, e o Cristiano até diz frequentemente que esse foi dos piores momentos da vida dele, ou seja, esses primeiros tempos fora da família em que gozavam com o sotaque dele, em que ele sentia a falta deles e que chorava praticamente diariamente.


E aí o Cristiano ficou no Sporting desde os 11 anos até aos 17, não é?


Sim, sim, 17/18. E aí, como todos sabemos, foi para o Manchester United e pronto, e o resto é história.


O resto é história e tu também tens uma história em relação aos tempos do Cristiano no United.


Exatamente, uma história também muito especial e que mostra o quão especial e atencioso é o Cristiano.


Portanto o Cristiano houve ali uma altura em que o pai estava bastante doente, uma enfermeira conhecida da minha família sabia que eu era muito fã do Cristiano Ronaldo e como ele estava lá e era tão acessível, pediu-lhe um autógrafo num cartão que ela tinha para lá, uma coisa qualquer, e o Cristiano assinou mas disse, achou que aquilo não era suficiente e disse: “Não, ok.” Assinou mas no dia a seguir “Amanhã eu trago um cartão mais apresentável assinado”.


E no dia a seguir, no meio de toda esta situação do pai, ele teve a atenção de de facto trazer e trouxe um cartão com a fotografia dele no Manchester United, um cartão oficial com a assinatura e dedicatória para mim. E isto de facto retrata o quão especial o Cristiano Ronaldo é como pessoa.


E depois de ter ganho o campeonato inglês mais do que uma vez, a Liga dos Campeões e a sua primeira Bola de Ouro, ele foi então do Manchester para o clube que ele mais sonhava ir.


Exatamente, e ele sempre disse isso abertamente, o Real Madrid.


E tu também tens uma história com o Cristiano nos tempos do Real Madrid.


Sim, é verdade. Portanto, em 2014, a final da Liga dos Campeões foi em Lisboa e foi precisamente entre o Real Madrid e o Atlético Madrid e era uma final com muito significado porque seria a primeira do Cristiano no Real Madrid e a décima, a tão ambicionada décima Liga dos Campeões do Real Madrid.


Para quem não está familiarizado com o futebol europeu, a Liga dos Campeões é a competição de clubes mais importante. Quanto é que custava um bilhete, normalmente?


No dia do jogo, ou na véspera do jogo estavam-se a vender bilhetes a milhares de euros. Pronto, na rua, no mercado negro, mas tinha mesmo um grande valor. Mesmo tendo muito dinheiro nem é garantido que se consiga ter acesso ao bilhete que até é sujeito a sorteios o que está aberto ao público.


Portanto, o jogo foi num sábado e na sexta-feira um amigo meu tentou convencer-me a ir ao Terreiro do Paço que era onde estavam as tendas publicitárias todas e onde iam haver vários eventos para ganhar-se prémios e eventualmente até bilhetes para a final, mas no meio de milhares e milhares de pessoas a tentar fazê-lo, era completamente irreal pensar que poderíamos ter essa oportunidade. Até que ele ao fim da tarde diz: “Tens que vir imediatamente para aqui para o Terreiro do Paço! Eu consegui-te inscrever numa competição de toques, tens que vir imediatamente para aqui!” E eu na altura até achei que ele estava a gozar, mas fui, não é?


E pronto, lá me meti numa competição de toques, éramos 16, milhares de pessoas a assistir, milhares de pessoas de todo o mundo. Foi uma grande pressão mas eu de facto tinha facilidade em dar toques…


Uma coisa que é preciso dizer é que o Cunha joga muito bem à bola.


Com toda aquela pressão e a valer 2 bilhetes para a final da Champions foi um pouco difícil, mas, de facto, fui a pessoa que deu mais toques, aquilo teve várias etapas e, para minha grande surpresa, no fim a apresentadora diz: “E agora, os dois primeiros vão fazer um puzzle! E o primeiro a acabar o puzzle ganha os bilhetes!” E eu: “Epá, não acredito, vou perder estes dois bilhetes por causa de um puzzle!”


Só para contexto, tu chegaste à final dessa competição, tu tinhas dado toques…


Muito mais do que o segundo…


Muito mais, tu achavas que ias ganhar facilmente.


Não, eu já tinha ganho, já tinha acabado e eis que a apresentadora diz aquilo, não é?
Um puzzle, em vez de ser mais toques. “Pronto, e agora para se decidir vamos fazer um puzzle”, e eu: “Fogo, vou perder estes bilhetes por causa de um puzzle, ele se calhar acaba primeiro do que eu…” mas não acabou!


Ganhaste.

Eu acabei primeiro o puzzle e ganhei de facto os dois bilhetes para a final da Champions.


Grátis.


Exatamente. E tal foi o assédio de todo o público, de todas as pessoas que estavam a assistir, eu tive que ser escoltado pela polícia até um táxi e pronto, e no dia a seguir fui assistir com o meu amigo que conseguiu inscrever-me nesta competição. Lá fui assistir com ele à final da Champions, o Cristiano ganhou e marcou e foi incrível, foi muito especial.


E depois dessa final da Liga dos Campeões o Cristiano ganhou mais 3 vezes a Liga dos Campeões no Real Madrid, ganhou 4 Bolas de Ouro no Real Madrid e, em 2016, ganhou aquilo que para mim é a coisa mais importante que ele ganhou e ele próprio diz…


E para ele próprio também, ele diz isso várias vezes.


Ganhou o Europeu para Portugal. E não sei se partilhas desta opinião, mas acho que aí muitos portugueses começaram a vê-lo com melhores olhos, depois desse Europeu.


Sim, sim, sim.


E vamos falar um pouco da opinião dos portugueses no geral sobre o Cristiano Ronaldo.


Pois, ele de facto transmite essa imagem de, de arrogante, convencido, egocêntrico, pronto, especialmente dentro de campo, não é? Mas isso também é se calhar o que o fez conseguir conquistar tanto e ser tão ambicioso, é toda essa postura dele dentro de campo. No entanto, isso não faz sentido, isso é um modo de competir, não faz sentido julgá-lo, generalisticamente, só em relação a isso, não é?


Pela sua atitude dentro de campo.


Isso é o, pronto, a estratégia de coping dele para conseguir motivar-se e conquistar tudo o que tem conquistado. Porque a verdade é que, fora de campo, o que não falta são gestos maravilhosos, até solidários, ele foi já considerado o desportista que mais doa no mundo… pá, como é que se pode concentrar-se tanto nesses aspetos?


E pronto, eu acho que aos poucos as pessoas, mesmo a nível mundial, conseguiram distanciar-se mais dessa opinião e valorizá-lo pelo que ele realmente é e acho que atualmente ele é muito mais reconhecido do que foi na primeira metade da sua carreira, por exemplo.


Exato.


Continua a espalhar a sua magia, dedicação e sucesso em Itália, na Juventus, e certamente vai continuar a ser bem-sucedido durante mais alguns anos.


Para acabar o episódio: quem é o melhor jogador do mundo?


Cristiano Ronaldo.


Sem dúvida? Concordo.


Se gostaram deste segundo episódio com a participação do meu amigo Cunha vão segui-lo ao Instagram, @joãofranciscocunha4, e vão ver a fotografia que ele tirou com o Cristiano Ronaldo e ponham gosto.


Até à próxima, tchau, tchau!

Voltar ao topo

Próximo episódio